Arquivo do dia: fevereiro 7, 2026

COR DE MÃE

A tempestade findara. Éramos poucos, ao convés. O alívio de sobreviver, a mais um dia. Uma nesga de sol. Uma resga de sol, diferente de todas as outras, Não era alaranjada, não era rosa, não era lilás. Tinha uma cor que eu não sei o nome. Chamei essa cor de cor de mãe. Para mim, era o único nome possível.

Os homens festejavam, com violas e runs. A felicidade imensa de estarem vivos, depois de mais uma tormenta. Os cânticos de saudades de casa. As palmas, os choros, os poemas. Alguns passaram mal. Por vinho ou por poesia. Poucos por Lisboa. Sabem o Destino que os espera, se retornam à Praça do Comércio. Voltar nunca foi uma saída. Para nenhum de nós.

Hoje é 21 de Abril de 1500. A Lua está crescente. O rum voa bem alto pela minha cabeça. Nunca tinha atravessado essa cor de mãe antes. Será que estamos próximos das Índias? Será que estamos próximos do fim? Será que o fim é próximo dessa cor que vi, que chamei de Mãe?

Já faz 43 dias que estamos ao mar. Uma exaustão me consome, enquanto me arrasta para o fundo deste oceano. E eu não sei se isto é o fim ou é começo. Se estou a ser engolido pela sereia, pela loucura, pela ganância de conhecer o infinito… ou se chegaremos em terra firme: amanhã. Depois de ver estas cores tão imponentes, que só poderiam ser pintadas por uma mãe.

Talvez eu esteja alucinando. Ou embriagado demais para raciocinar. O mar é um útero traiçoeiro, para um pobre coração de Alfama. Ladrão, vagabundo. Os ventos alísios parecem auspiciosos. Ninguém aqui sabe acerca dos meus conhecimentos astrológicos.

Fiz umas pequenas anotações (aproximadas):

1.            Sol: 0°47′ de Touro (signo de terra, estável e prático).

o            Simboliza a materialização, recursos naturais e a “terra” a ser descoberta.

2.           Lua: 26° de Aquário (conjunção com Saturno em Peixes).

o            Indica um momento de transição coletiva, mas com rigidez (Saturno). A Lua em Aquário sugere inovação, mas a conjunção com Saturno pode representar desafios na adaptação.

3.           Mercúrio: 13° de Áries (retrógrado).

o            Comunicação confusa, possíveis erros de navegação ou interpretação. Mercúrio retrógrado em Áries pode indicar decisões impulsivas sendo revisadas.

4.           Vênus: 6° de Gêmeos.

o            Diplomacia e trocas culturais, mas também dualidade (dois mundos se encontrando).

5.           Marte: 12° de Câncer.

o            Ação (Marte) ligada a emoções e proteção (Câncer). Pode simbolizar a chegada a um novo “lar” simbólico.

6.           Júpiter: 20° de Câncer.

o            Expansão (Júpiter) em Câncer: conexão com novas terras e possíveis riquezas naturais.

7.           Saturno: 26° de Aquário (conjunção com a Lua).

o            Restrições, estruturas rígidas e a imposição de ordem sobre o desconhecido.

o            Urano: 9° de Escorpião (transformação oculta).

o            Netuno: 20° de Sagitário (ilusões e ideais expansionistas).

o            Plutão: 16° de Escorpião (poder e profundas mudanças).

Agora vou tocar meu violão, porque preciso ver de novo aquela cor, cor que não sei o nome, cor de mãe, na alvorada.

Será que ela volta?

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