Arquivo da categoria: Vídeos Tejo Bar

Onde a dor não tem razão

Canto
Para dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda
Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer

 

Ps: to voltando Tejo Bar, meu amor…

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Tejo Bar: Santuário das Incompletudes

MIACOUTO

Nunca poderia deixar de imaginar que Lisboa fosse uma cidade de sítios mágicos. Contudo, o clichê literário, exaustivamente desdenhado, não me era capaz de seduzir, em primeira pessoa. Os cafés, ninho dos antigos fantasmas, as esquinas, mínimas e estonteantes, o monumental cinema abandonado.

Apenas quem guarda o horizonte em águas é capaz de viver saudade. Quantas eternidades são amanhecidas, quando o olhar estica os oceanos? Talvez esta seja a grande obviedade inexorável da cidade. Uma vontade de partir, afogada pela dor de ir embora.

Há, pois, um lugar que transcendeu sua existência para atravessar as distâncias insuportáveis da poesia.

Das ruas estreitas, penduradas pelas luzes envelhecidas, pouco se pode perceber. Os dilúvios taciturnos despistam o sonhador mais distraído. A obscuridade de informações. Quem conhece sabe chegar, quase em transe mediúnico. Quem o tem no imaginário se perde nos relatos incompreensíveis das testemunhas.  Só resta uma certeza: o coração é devorado, ao entrar, como oferenda ao santuário da incompletude.

Tejo Bar, ventre de Alfama, tantas letras ainda insistem em te traduzir! Ah, teus poetas vadios, tuas noites infindas, tua harmonia com a sincronicidade! Fico, inebriada, a inventar todos os amores que te fizeram enredo.

Onde existirá outra porta que nos devolva à condição de instrumentos da arte?

Basta bater.

É perfeitamente admissível que muitos o tenham rejeitado, ao se depararem com a solidão imperdoável. Criadora.

No entanto, aqueles que suportaram a entrega ao invólucro jamais o deixariam, novamente.

Miscigenar-se com outras peles, línguas ancestrais, impensadas melodias. Sentar à mesa de estranhos cúmplices. Declamar os silêncios. E depois, fartos de epifanias, é permitido estilhaçar-se em excessos.

É por isso, Tejo, que és também rio das despedidas. Teu lugar é uma nau, desprovida de bússolas. Teu pertencimento está em aceitar o rumo das marés. O mundo, agora, reverencia: envaideces as estrelas com a tua presença.

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Informações:

O Tejo Bar, agora também itinerante, já esteve em São Paulo e Bolonha. Olinda foi eleita a próxima casa natal, em plena Fliporto. A mística experiência poética será realizada no sábado, dia 16 de novembro de 2013, no Tribuna Bar e Restaurante Sabores Ibéricos, rua de São Bento, 210 | Varadouro, às 23h, com a condução do seu criador, Mané do Café, e outros frequentadores inverossímeis. Todos estão convidados para serem os novos membros da divina seita.

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Vídeos:

João Pires, Marcelo Pretto e Chico Saraiva no Tejo Bar em Lisboa:

Tejo Bar em São Paulo:

Tejo Bar em Bolonha:

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Míope é a vida!

Um lindo poema da Adélia Prado, interpretado pelo Mané do Café. E, incidental ou não, uma homenagem à minha mãe!

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Lendo Clarice… porque eu preciso dela

PRECISA-SE

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

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A mais bela

Clarice fez muitas cócegas dentro de mim. Invadiu muitas das minhas sonhadas poesias. Eu retribuo. Eu a invoco todas as semanas, em Alfama. Engraçado ter encontrado em Lisboa o meu lugar preferido de todos os que já elegi – o Tejo Bar. Atrás da minúscula porta escondem-se palmas silenciosas e espíritos de música. Eu me cubro de coragem. Deixo a amada sair pelos poros. Vejo evaporar o vinho dentro da minha voz. Finalizo transtornada. Fecho a porta para fumar um cigarro. E sou inundada por um frio indizível. Depois do parto, o corpo estremece. A minha Clarice fala o mais belo português.

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