Arquivo do mês: maio 2019

Em meio ao irritante espetáculo dos dez anos,

memórias violentas de janeiro de 2009.

O primeiro inverno em Lisboa.

Sentia um pouco de ódio pela cidade.

 

Adorava lavar minhas roupas,

numa tentativa grotesca de lavar

a mim mesma.

elas permaneciam úmidas

e tinha medo de apodrecer.

 

Jamais hesitaria em começar

a escrever

às quatro da manhã

como temo agora.

 

Estranhas são as amarras que tecemos

para os nossos talentos

sem traumas aparentes

(onde foi que a literatura me violou?)

 

Há dez anos eu passava

talvez

o mesmo frio

O relógio despertava cedo

 

Outrora, quiçá,

acreditasse em mais sonhos

Ah,

Quem sabe,

ainda não conheça

os sonhos

em que devo acreditar.

 

Terei sido mais feliz?

 

Hoje,

vi personagens irretocáveis.

 

E lembrei:

a escritora que perseguia à altura,

cá está.

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