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A velha chama e a negra solidão

Meu pai, grande escritor e jornalista, acaba de lançar seu primeiro e-book, intitulado “A Velha Chama e a Negra Solidão”. Segue uma degustação para quem quer conhecer um pouco mais desta literatura mágica. O link para a Amazon.com está no fim deste post.

Histórias

Os dias são abafados, insuportáveis; as noites são amenas e às vezes frias. Vá entender. O tempo mudou, radicalmente, nos últimos quarenta anos. Mas os meteorologistas insistem em afirmar que não há surpresas. Tudo o que acontece agora já aconteceu décadas atrás, garantem. Pra cima de mim… Como se, décadas atrás, houvesse estatísticas.

Há uma revolução na meteorologia, eu vivo dizendo isso, mas meu pessoal prefere acreditar que estou meio pirado. É natural. Eles são habitantes do interior do Brasil, e eu, a vida inteira, andei pelas cidades grandes. A minha lógica não bate com a deles.

Pois são eles que veem, quase todos os dias, os tais dos objetos voadores. Outra coisa de que não se ouvia falar muito, antigamente. É inacreditável o número de relatos: são objetos em forma de disco mesmo, ou de pratos; são charutos; feixes de luz; cometas. Há de todos os tipos, todas as formas; provocam as mais diferentes reações.

E eu aqui, debaixo de um céu repleto de astros normais e esplendidamente visíveis. Chegando aos oitenta, mas com uma lucidez que jamais experimentei antes, lendo as almas das pessoas a partir das suas expressões fisionômicas. Um sábio. Meu corpo, é claro, deixa muito a desejar, e visito mais os médicos do que os amigos. Meus gestos são lentos. A mente é um azougue.

Deixei de ironizar uns e outros, porque eles não entendem nada, coitados. Gozando-os eu acabava tendo a impressão de que gozava a mim mesmo. Já pensou? Você faz uma piada aqui, outra ali, e seu interlocutor continua sorrindo, cândido, como se você o elogiasse. O que é o chiste, uma boutade, se o outro não entende? Aí você percebe que a única vítima é você. E decide adaptar-se ao meio.

Foi o que fiz. Sentei-me, nas noites longas, e apenas ouvi histórias. Mais de noventa por cento delas falavam dos objetos. Incrível.

A mais empolgante, no entanto, foi-me contada dia desses. Narizinho, um aqui da região, apelidado assim por causa do seu nasal exageradamente arrebitado, estava voltando do estábulo às seis da tarde, exausto da labuta do campo, quando ouviu um silvo estranho. No primeiro momento imaginou que fosse uma cobra nova, depois sentiu que não era som deste mundo. Virou-se, assustado, e bem diante dele, no chão, estacionada, como se uma carreta fosse, estava a nave. Em forma de um disco ovalado, com muitas luzes piscando por dentro e por fora. Por dentro, sim! Uma imensa porta, aberta, mostrava um interior metálico, cinza-claro; e, de pé, sorrindo para ele, um homem vestido e uma mulher pelada. Narizinho conseguiu sobrepor seu deslumbramento ao natural susto que experimentara. Jamais vira mulher mais bela na sua vida. De rosto, quero dizer. De corpo, então…

“Que é isso, sô?”, foi a única coisa que Narizinho conseguiu dizer.

Ele explicou que o homem se dirigira a ele, saudando-o, dizendo que estavam ali para propor uma experiência muito importante, um intercâmbio entre o nosso mundo e o deles. O capiau ouvira perfeitamente o que ele dissera, mas, que loucura!, o homem não abrira a boca. Continuava rindo, apenas, enquanto a mulher, ao lado, não ria, exatamente, mas expressava, no rosto, um desejo indubitável: “Eu te quero, Narizinho… Eu te quero como homem!”

Ele também a queria, como mulher, e não estava sequer preocupado ou assustado com o inusitado da situação; aquela mulher o arrebatava e o mantinha num estado permanente de êxtase. Imagine na hora de…

‘Mas como posso fazer qualquer coisa com esse cara aí ao lado?’ E, no momento em que ele formulou este pensamento, o homem se afastou imediatamente, enquanto a mulher avançou em sua direção. Mais: movimentou os braços para frente, como quem pede um abraço. Apertado. Carnal.

Narizinho me descreveu, então, o ato sexual mais completo e ardente que eu já ouvira em toda a minha vida, e olha que li a obra completa de Henry Miller. Cheguei, confesso, a experimentar uma certa memória erétil. Eu não estava sozinho naquela conversa. Do meu lado, os caipiras só faltavam pedir licença para se masturbarem. Foi uma excitação só. Eu acreditei em tudo. Mas, agora, começava também a sonhar.

“Será que eles conseguem levantar o meu pau?”, perguntei a Narizinho, ingenuamente. Ele me olhou muito sério.

“Depois que dei a terceira, doutor, a mulher me pediu licença e perguntou se eu gostaria de continuar naquele ritmo. Eu ia responder o quê? ‘É claro, gostosa, é claro!’ Aí ela foi até uma mesinha da cor do chão e do teto, pois tudo era da mesma cor, e pegou uma seringa pequenina, como se fosse de brincadeira de boneca, e disse (não abria a boca, eu ouvia tudo na mente, o que é muito mais direto): ‘Vire a bundinha, vire…’ Nem senti a picada. E logo depois estava dando a terceira, a quarta e por aí vai…”

Foi naquela noite do relato que tomei a decisão, mas levei uma semana para divulgá-la. Em meados de dezembro, não sei exatamente o dia, convoquei esse meu povo, às oito da noite, na varanda da casa. Veio todo mundo, se bem que todo mundo são dez pessoas. Até o filho de Mané Carpinteiro, de quatro anos, foi obrigado a vestir sua melhor roupa para me assistir. Aí eu subi num caixote, amparando-me no ombro dos rapazes, e fiz o meu pedido quase súplica:

“Gente, estou sabendo que os discos voadores andam sobrevoando aqui, a região, e até pousam nos pastos. Os pilotos têm convidado algumas pessoas para conhecer o avião, quer dizer, o disco. Pois bem: vocês sabem que tenho sono pesado, apesar de velho, mas se algum desses objetos baixar por aqui, mesmo que seja distante vinte quilômetros, pelo amor de Deus, meus amigos, me chamem imediatamente! Eu quero ir embora com eles!”

Eles me ouviram sem dizer uma palavra. Todos, ou quase todos, inclusive os dois adolescentes do grupo, já me haviam contado alguma história envolvendo os objetos voadores. Mas, ao me ouvir, assim, numa convocação oficial, fizeram uma cara esquisita, de frustração, e saíram cochichando.

Depois eu soube que espalharam, até os confins do Estado, que eu estava louco. Senil. “O velhinho descompensou de vez”, disseram, “agora quer viajar de disco-voador”.

São eles que contam as histórias e eu que enlouqueço. Ninguém jamais comentou que Narizinho, dando oito na extraterrestre, havia pirado. Mas aí descobri da cumplicidade que existe entre eles: histórias são histórias, não é para acreditar. Eles ouvem tudo, sérios, compenetrados, depois contam as suas, que os outros ouvem. Se acontecer de algum idiota de fora acreditar nas lorotas, melhor. Assim elas se tornam verdades rapidinho.

Hoje, quando Narizinho aparecer por aqui para trazer o garanhão que vai cobrir minha égua, vou lhe dizer que apareceu, bem na frente de casa, o tal disco oval, com a porta aberta e tudo. E aí surgiu o mesmo cara, com a mesma peladona, que logo abriu os braços pra mim.

“Coroa, você é muito mais homem do que o Narizinho…”, ela comentou, depois da décima primeira, antes do galo cantar.

O link para o e-book está aqui:

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Hoje, num futuro qualquer*

Fernando Portela

Eu ainda gritei “Maria, desgraçada, não vai abrir a porta?”. Mas a campainha tocou de novo, após algum tempo. Um toque leve, de gente educada. Maria deveria ter saído cedinho. Pra namorar, com certeza. Maria ia acabar engravidando, aos dezesseis anos, e a gente seria obrigado a devolvê-la à família no interior.

“Já vai! Espere um pouco!”, berrei lá de dentro. Estava nu, preparando-me para o banho que tomava, pontualmente, às oito da manhã. Meus dois filhos àquela hora já haviam iniciado o trabalho na oficina mecânica, no prédio vizinho. Eu, com meus direitos de coroa, sempre chegava atrasado. E a vontade era a de atrasar mais, a cada dia. Também, cinquenta e três no costado… Trabalhando desde os doze…

Quem seria, àquela hora? Vesti a camiseta que estava jogada sobre o cesto. Meio fedida. Dane-se. A inútil da Maria ainda não recolhera a roupa suja. E se um dos meus rapazes transasse com ela? Não, não, eles tinham juízo, e arrumavam mulher quando e onde queriam. Igual ao pai.

Devo ter aberto a porta meio no tranco. A menina, uns dez anos, sobressaltou-se. Que gracinha! Simpatizei com ela imediatamente. Rostinho redondo, cabelo curto, lourinha. Covinha só de um lado. Usava uma roupa meio estranha, larga, parecida com uma jardineira. Um tecido… amarrotado, como se fosse papel. Já não havia visto aquela criança antes?

“Desculpe, minha filha, se assustei você…”

“Não… não…”, ela fez, com um sorriso lindo. Olhou para mim com muita curiosidade, como se procurasse alguma coisa no meu rosto.

“Então diga, minha filha, que você deseja? Já sei… O carro do seu pai ou da sua mãe quebrou.”

“Não…”, ela balbuciou novamente, e era extremamente gracioso o jeito de articular a palavra. “Nada disso, eu só vim te ver, vovô.”

E logo depois consertou:

“Eu não deveria ter vindo, mas vim. Desculpe. Sabe, amo você. Olhei pra você agora e amei você… ainda mais! Já amava antes.”

Eu sorri, meio forçado, até porque sentia que havia algum sentido naquela doidice. O rosto da menina me era familiar.

“Querida”, eu disse sorrindo, “deixe de brincadeira. Não sou avô, meus filhos têm vinte e dois e vinte e quatro anos, nem pensam em casar. Mas eu até gostaria mesmo de ter uma neta como você… assim… tão simpática”.

Uma pausa. Fui ficando nervoso. Quem resolvera tirar sarro da minha cara? E contratara uma menina inocente pra isso?

“Vô: não sou filha nem do Zezinho nem do Tião. Minha mãe é Inês, lá do Rio de Janeiro.”

Empalideci. Inês. Estava agora com a idade daquela menina na minha frente. Dez, onze anos. Duvidei todo esse tempo que Inês fosse minha filha. Sua mãe, Dora, tinha outros namorados. Mas ela sempre afirmara: “Mãe não se engana; Inês é sua!” Depois, magoada: “Sabe, se não vai assumir, o problema é seu! Deixe que eu dou conta…”

Fazia uns dois anos que eu não as via, Inês e a mãe. Ninguém sabia desse meu segredo. Nem os meus filhos. Só o padre, que não espalha pecado dos outros, e Rubens, meu amigo-irmão, meu confidente. Mas Rubens não iria fazer uma palhaçada dessas comigo. Até porque estava morrendo de cirrose hepática. A pele verde, o olho branco.

“Minha querida: você é muita novinha pra ser usada numa brincadeira de mau gosto. Quem mandou você aqui? Diga, por favor, o que é que você quer?”

Acho que vi lágrimas em formação nos olhos da menina.

“Vô… desculpe. Eu não devia ter vindo. Mas eu precisava ver o senhor. Minha mãe fala tanto no senhor. Ela é apaixonada…”

“Querida, querida, escute aqui: eu não sei como você sabe de Inês, das minhas histórias no Rio, acho que alguém está me gozando, mas, pense bem: Inês deve ter a sua idade… é um pouco mais velha, talvez. Inês só poderia ter uma filha do seu tamanho daqui a uns vinte anos…”

Parei de falar porque comecei a ver na menina uns traços de minha mãe, do meu filho Tião e até meus, como o jeito de olhar de lado, o sorriso meio tímido. De repente, ela saiu correndo. Sem olhar para trás. “Tchau, vô, depois… depois a gente…” Não entendi o final da frase. Corria em câmera lenta, leve, sobre a calçada arborizada, como se fosse voar, a minha neta.

* esse conto pertence ao livro que é, sem dúvida, o meu preferido: Memórias Embriagadas

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A sorte é pra quem pode

 Fernando Portela

“Ela agora é um vegetal.”

Foi assim que dona Larissa, de volta do hospital, definiu Toninha, sua própria filha, às vizinhas reunidas na sua casa. Havia um clima de velório, ali, e as crianças estavam muito confusas com aquela história. Dona Larissa ficou com vergonha de confessar que esquecera o nome da doença de Toninha e preferiu dizer que nem os médicos sabiam.

“Ela voltará a si?”

“Pode voltar, pode não voltar. Pode ficar assim por uma semana e morrer. Pode ficar assim para o resto da vida.”

Uma semana depois, quando Toninha retornou a casa, de ambulância e de maca, as crianças suspiraram: o “vegetal” era a mesma Toninha de sempre, meio criançona apesar dos vinte e dois anos, e que gostava de se vestir de bruxa para perseguir a molecada da rua. Era uma farra. Agora, como iria dormir sem hora para acordar, a brincadeira ficara adiada, sabe-se lá até quando. Aquele pessoal com menos de onze anos sentiu muito.

Mas nem se passaram cinco dias, quando o povo, ainda chocado, viu dona Larissa, sempre com um enorme lenço de choro no bolso, receber o caminhão da “Sorte é pra quem pode”, promoção das Lojas Sol. O veículo ocupava metade da rua, que era meio torta, com muitos problemas no calçamento e poucas árvores, e estacionara em frente à pequena casa.

“Dona Larissa! Dona Larissa!”, gritou um palhaço, acompanhado de uma câmara de televisão, “a senhora ganhou a troca de todos os seus móveis e aparelhos domésticos! A sorte é pra quem pode!”

Uma pequena multidão se acercou da casinha, e dona Larissa, cujo marido havia se engraçado por outra, e que vivia de produzir bolos e doces, já não conseguia controlar o choro e o riso, que agora vinham intercalados. As vizinhas, eufóricas, confluíram rapidamente. Ela, no centro das atenções, não largava o lenço grande, orientando a equipe de carregadores a acomodar os móveis novos, belíssimos, e a retirar os antigos, lamentáveis.

Na confusão, um dos carregadores lhe pediu para acordar a mocinha lá dentro, a fim de trocar a cama, e aí dona Larissa caiu num choro mais dramático, correu até Toninha, beijou-a muitas vezes no rosto.

“Ela não acorda mais, senhor. Come, faz necessidades, tudo, tudo, sem sair da cama. Mas, de vez em quando, chora. Eu fico preocupada: será que ela está vendo o que acontece aqui?”

O homem, muito impressionado, disse que seguramente não. Mas, com certeza, e até pra compensar sua situação, ela estaria desfrutando dos mais lindos sonhos que um ser humano poderia ter.

“O senhor acha mesmo?”

“Tenho certeza, dona. Conheci uma pessoa assim que, quando acordou, contou os sonhos que teve. Eram, assim, coisas impossíveis de descrever, de tão bonitas. Eu mesmo achei que valeria a pena dormir daquele jeito”, insistiu o homem, com um hálito de cerveja recente.

“Será?” Dona Larissa guardou o lenço grande, já imaginando uma forma de acomodar a filha na cama nova.

Dona Cléssia, da casa da frente, veio dar um abraço na amiga e lhe garantir que a sorte, de fato, não é pra quem pode, mas pra quem merece.

“Depois de Cristo, a pessoa que mais sofreu foi você, Larissa”, ela garantiu, acomodando no ombro a cabeça da amiga. “Você merece todos esses móveis lindos, e essa geladeira, você viu?, é enorme, de duas portas…”

“Vai ter de ficar na sala, porque na cozinha não cabe”, lamentou dona Larissa. “A televisão é muito grande também, mas entrou no quarto. Se eu usasse uma cama de casal, como antigamente, não daria.”

“Os móveis velhos vão ser um problema, não, minha amiga? O pessoal do caminhão vai levar?”

“Eles vão me indenizar, é um bom dinheiro, faz parte da promoção…”

“Meu Deus, mas que sortuda!” Dona Cléssia aproximou os lábios do ouvido de dona Larissa. “Será que é por causa da doentinha, essa sorte?”

“Não sei, não pensei nisso…”

O palhaço, que acabara de distribuir balas e balões coloridos às crianças que iam aparecendo, veio chamar “a dona da sorte” para dar uma grande entrevista, falando da felicidade que as Lojas Sol lhe haviam proporcionado.

“Não precisa falar da moça com problemas”, disse o palhaço. “Só coisa boa, coisa boa! E meta esse lenção no bolso!”

Ela falou, do jeito que lhe disseram, mas não foi possível demonstrar toda a alegria que eles queriam. A entrevista acabou suspensa porque dona Larissa percebera que uma pessoa estranha entrara na casa. Ela gritou, dando o alarme. Os carregadores ajudaram a tirar, lá de dentro, um bêbado que procurava comida na geladeira nova.

“Porra! Essa zona toda aqui e tem uma mulher dormindo lá dentro”, ainda comentou o bêbado, antes de levar um empurrão mais agressivo.

“É o vegetal”, esclareceu Neivinha, uma menina de dez anos, da rua ao lado.

Antes de voltar à filha imóvel e de especular sobre aqueles sonhos lindos que ela estaria desfrutando, dona Larissa ainda atendeu dona Júlia, proprietária de um salão de belezas ali perto, que gostaria de tocar, apenas tocar a menina adormecida, além de fazer uma oração para o seu despertar.

“Eu deixo, dona Júlia. Mas, por que mexer nela?”

“A senhora não entendeu, dona Larissa? Ela dormiu para lhe dar sorte. Vou confessar pra senhora: nunca vi um fogão de tantas bocas, assim, pessoalmente. Mas eu estou precisando, também, de algumas coisas. Sei que pedindo para ela serei atendida. Acho que esse sono dela faz uma ligação direta com os Santos Anjos.”

Dona Larissa agradeceu, esperou ali ao lado que dona Júlia completasse seu pedido e, quando ela saiu, dirigiu-se à filha adormecida, acariciando-lhe a testa imóvel. Toninha não mudou a serena expressão do rosto, própria de quem viaja através dos tais sonhos indescritíveis.

“Eu queria lhe agradecer, minha filha, por todos esses presentes”, disse dona Larissa, “mas eu trocaria tudo, tudo, pelo presente maior que é ver você acordada”.

Tirou o lenço grande do bolso e, como não havia ninguém por perto, assoou o nariz.

* Caricatura de Sérgio Gomes

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