Arquivo do mês: fevereiro 2015

O cérebro em festa

insight

“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.” Carl Gustav Jung

Uma explosão de ondas gama navega pelo topo do córtex pré-frontal do lado direito do cérebro, antecipando conexões que estavam distantes por milhares de quilômetros entre si. Uma viagem sideral que produz uma descarga de energia necessária para a criação de uma nova ideia. Assim nasce o insight.

Este termo, exaustivamente utilizado em Neurociência, constitui o solo poderoso dos processos de coaching baseados na neuroplasticidade cerebral. É curioso pensar que toda mudança comportamental está baseada em um conflito saudável entre os neurônios, que se chocam e divergem, possibilitando-nos vivenciar a inesquecível sensação de uma epifania.

O requinte e a sofisticação, consequentemente, estão longe de serem aliados desse percurso. O lado direito do cérebro interpreta as informações de forma mais rude e arcaica, podendo agrupar elementos distintos em mesmos contextos. Ao trabalhar com dados inespecíficos, fica mais fácil conectar o inusitado.

Assim, o nascer de uma ideia se vincula ao caos, ao improviso, ao inesperado. É indispensável, também, que o olhar esteja desatento, desfocado das percepções visuais. A mente tem que estar míope, para expandir a capacidade de relacionar o improvável.

Contudo, a preguiça e a automatização são inimigas mortais dessa festa cerebral. O insight, efêmero, perder-se-á em milésimos de segundos, caso o autor não o grave em papel e tinta. A documentação faz-se profundamente necessária, para o início de uma nova era de atitudes.

É preciso, pois, doutrinar as compreensões súbitas e traduzi-las em objetivos, estratégias e ações. Reforçar, positivamente, todas as inaugurações que a mente de um ser humano é capaz de produzir. Trazê-lo às rédeas existenciais, como protagonista de um novo enredo.

O papel do coach, torna-se, assim, imprescindível. Além de presenciar o nascimento das novidades em seu coachee, ele será o grande parceiro na trilha em prol da transformação.

Ao indagar o seu coachee, acompanhando-o em suas metas pessoais e profissionais, o coach o provoca sobre o quão importante é a consciência do pensamento para a sua solução.

O coach representa o foco no futuro, o projetar de sonhos e objetivos. Estabelece-se, na relação, como um coautor à procura de novos caminhos, responsável pela mudança positiva no coachee e pelo engajamento a partir da emoção. Afinal, é muito mais fácil criar um novo hábito do que eliminar um antigo.

Ser coach é testemunhar o cérebro em festa.

 

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