Arquivo da tag: Paulinho da Viola

Onde a dor não tem razão

Canto
Para dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda
Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer

 

Ps: to voltando Tejo Bar, meu amor…

1 comentário

Arquivado em Outros poetas, Vídeos Tejo Bar

Rua Gumercindo Saraiva, 54

image (1)

À nova Lume

“Eu não vivo no passado. O passado vive em mim”. Paulinho da Viola

Todas as potencialidades de ser residem, em última instância, no nada. É na inexistência fecunda que os sonhos podem ser encarnados em projetos. O vazio deixa de habitar o lugar da mendiguez para suportar os incontáveis caminhos presentes em nossos devaneios mais enraizados.

“Quando está sendo, não há tempo”, disse, certa vez, meu mestre de poesia. A eternidade é anfitriã dos lugares, enquanto estamos inebriados pelo pertencer. A morte é condição sine qua non para um olhar desanuviado, para demolir a experiência em memórias e dar sentido àquilo que foi vivido.

Os objetos encaixotados, as cicatrizes que deixamos nas paredes, os acontecimentos engavetados. Agora, a impermanência é abrigo à descontinuidade.

Ao deixarmos uma casa encontramo-nos com os fragmentos desordenados de quem fomos nós. Essa saudosa alegria, alguma tristeza, amplas reminiscências de nós são passíveis de deixar o espaço para morar no passado.

Contudo não poderemos mais ser como outrora. Disso somos enfaticamente avisados. Há névoas pela frente. Cegos, por ora. Ensimesmados no instante que precede a epifania, travestida de desespero. Ingratos abençoados pelo Cosmos.

Não se esqueçam de caminhar. As nuvens se dissipam no horizonte, à frente. A ruptura alarga os oceanos do sonhador. Para compreender os silêncios extáticos de hoje, precisamos violar as auroras com a língua incompreensível que nossos corpos ainda não estão familiarizados. Ainda.

Deixe um comentário

Arquivado em Textos meus