Defenestrar-se

Bahea

Tive uma paciente que chegou até mim porque havia jogado sua casa inteira pela janela. O ocorrido veio ancorado pelo esquecimento. Essa semana invejei sua coragem, com a sutil diferença de que desejaria me recordar dessa libertação.

Ah, sentir o cheiro das lâmpadas escalpelando meus dedos, antes do voo! O incômodo do carpete, embaixo das unhas. Daria toda a minha poesia para testemunhar o sangue dos azulejos, violentamente expatriados das paredes.

Contudo, minha covardia me impossibilitou de conduzir a existência a esse limite. Não tenho a intrepidez da minha paciente. Então, pulei o muro de outra história. E defenestrei a mim mesma da vida dessa pessoa.

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