Neste soneto

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PAULO MENDES CAMPOS

Neste soneto, meu amor, eu digo,
Um pouco à moda de Tomás Gonzaga,
Que muita coisa bela o verso indaga
Mas poucos belos versos eu consigo.
Igual à fonte escassa no deserto,
Minha emoção é muita, a forma, pouca.
Se o verso errado sempre vem-me à boca,
Só no peito vive o verso certo.
Ouço uma voz soprar à frase dura
Umas palavras brandas, entretanto,
Não sei caber as falas de meu canto
Dentro de forma fácil e segura.
E louvo aqui aqueles grandes mestres
Das emoções do céu e das terrestres.

 

 

EPITÁFIO – Paulo Mendes Campos

Se a treva fui, por pouco fui feliz.

Se acorrentou-me o corpo, eu o quis.

Se Deus foi a doença, fui saúde.

Se Deus foi o meu bem, fiz o que pude.

Se a luz era visível, me enganei.

Se eu era o só, o só então amei.

Se Deus era a mudez, ouvi alguém.

Se o tempo era o meu fim, fui muito além.

Se Deus era de pedra, em vão sofri.

Se o bem foi nada, o mal foi um momento.

Se fui sem ir nem ser, fiquei aqui.

 

Para que me reflitas e me fites

estas turvas pupilas de cimento:

se devo a vida à morte, estamos quites.

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