Arquivo do dia: junho 6, 2012

O tempo é meu disfarce…

Sentimento do tempo 

Paulo Mendes Campos

Os sapatos envelheceram depois de usados
mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados
E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés.
As coisas estavam mortas, muito mortas,
Mas a vida tem outras portas, muitas portas.
Na terra, três ossos repousavam
Mas há imagens que não podia explicar; me ultrapassavam.
As lágrimas correndo podiam incomodar
Mas ninguém sabe dizer por que deve passar
Como um afogado entre as correntes do mar.
Ninguém sabe dizer por que o eco embrulha a voz
Quando somos crianças e ele corre atrás de nós.
Fizeram muitas vezes minha fotografia
Mas meus pais não souberam impedir
Que o sorriso se mudasse em zombaria
E um coração ardente em coisa fria.
Sempre foi assim: vejo um quarto escuro
Onde só existe a cal de um muro.
Costumo ver nos guindastes do porto
O esqueleto funesto de outro mundo morto
Mas não sei ver coisas mais simples como a água.
Fugi e encontrei a cruz do assassinado
Mas quando voltei, como se não houvesse voltado,
Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso.
Meus pássaros caíam sem sentidos.
No olhar do gato passavam muitas horas
Mas não entendia o tempo àquele como agora.
Não sabia que o tempo cava na face
Um caminho escuro, onde a formiga passe
Lutando com a folha.
O tempo é meu disfarce.

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Para engrandecer uma noite enluarada de tristezas

Eblouie Par La Nuit

Eblouie par la nuit à coup de lumière mortelle
A frôler les bagnoles les yeux comme des têtes d’épingle.
Je t’ai attendu 100 ans dans les rues en noir et blanc
Tu es venu en sifflant.
Eblouie par la nuit à coup de lumière mortelle
A shooter les canettes aussi paumé qu’un navire
Si j’en ai perdu la tête je t’ai aimé et même pire
Tu es venu en sifflant.
Eblouie par la nuit à coup de lumière mortelle
A-il aimé la vie ou la regarder juste passer?
De nos nuits de fumette il ne reste presque rien
Que tes cendres au matin
A ce métro rempli des vertiges de la vie
A la prochaine station, petit européen.
Mets ta main, dessend-la au dessous de mon coeur.
Eblouie par la nuit à coup de lumière mortelle
Un dernier tour de piste avec la main au bout
Je t’ai attendu 100 ans dans les rues en noir et blanc
Tu es venu en sifflant.

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