Uma centelha de futuro

I know not what tomorrow will bring…” – Última frase de Fernando Pessoa

Acordei aturdida de um sonho bom. Agora que as cortinas se fecharam, não há aplausos para a realidade. No entanto, reverbera em mim a familiar sensação de ter pertencido àquela história. Tolos e humanos somos nós, ao despertar desses fragmentos de alma!

No sonhar há um luminoso encontro entre a terrível loucura e a suposta normalidade. Personagens se miscigenam sem pudor. As cisões deixam sua abruptude à margem de meus reinos. Pensamentos enlaçados às ações, em absoluta confluência.  Nada há de tão absurdo que não possa acontecer. Toda trivialidade não plangente se reflete em ontologias. E vivenciar isso é sublime para aqueles que não têm medo de submergir em estranhezas.

Adormeci a minha vida por algumas horas e trouxe a docura infante aos lábios, neste momento. Confesso-o com o intuito de recordá-lo até os limites da memória. Esse sonho bom, só meu. E, como é evidente, não poderei contar o seu enredo. Não suportaria deteriorar a excêntrica ideia de que ele sairá do lápis da minha mente e desenhará minhas futuras cicatrizes.

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1 comentário

Arquivado em Textos meus

Uma resposta para “Uma centelha de futuro

  1. Sempre tive uma relação de “estranheza” com meus sonhos. Em várias épocas da vida, distintas sensações vinham até mim junto a cada um deles. Houve momentos em que não me lembrava de nenhum sonho só para, anos depois, acontecer o contrário: lembrava-me de todos, nitidamente.

    Chegava a acordar com o mesmo sentimento que orientara cada sonho: dor e sofrimento, alegria e amor. E queria voltar lá para dentro, para aquele mundo inventado. Por várias vezes tentei voltar e, uma vez, em um sonho tão perfeito e maravilhoso, eu até consegui. Foi algo surreal – que nunca mais pude repetir.

    No sonhar, meu subconsciente parecia fazer inicialmente apenas brincadeiras, ainda que algumas fossem de muito mau gosto, admito. Não importava – eram sonhos, mundos novos e sem limites. Eu entendia cada um deles como sendo meu lado juvenil – bobo, inocente, safado ou curiosamente sério – girando ao meu redor, crescendo comigo mas mantendo sempre aquela molecagem sadia e natural.

    Hoje, talvez por causa da idade que chega acelerada (e por causa do fígado trabalhando arduamente durante meu descanso…), meus sonhos nem sempre são lembrados. Mas a maioria ainda sim.

    No entanto, nos últimos anos, num susto inesperado, surgiu um novo sentimento. Comecei a sentir pavor de sonhar um certo sonho. Na verdade, um certo destino representado em um tipo de sonho, com um tema particular. Algo só meu, inteiramente meu, mas ainda assim assustadoramente mundano.

    Aos poucos – não sei o que houve! – o sonho foi ficando mais grave, sombrio, descontrolado, e então esse sonho único se transformou em um conjunto de sonhos dolorosos. Dor. Uma dor que eu, ser plutoniano, nunca antes havia experimentado.

    Talvez finalmente o planeta Terra tenha me afetado de alguma forma, e agora sinto algo diferente.

    Pelo menos nos sonhos.

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