Arquivo do dia: janeiro 14, 2011

Passeios

Vesti meus olhos de poeta e vi:
teu vulto esguio atravessando os espaços
tão breve!
Na ânsia de te deter
vesti apressada
minhas invisíveis luvas de poeta
e agarrei o gosto do pólen recém tirado
das flores
e senti o úmido das manhãs orvalhadas
esquecido nos ares.
Que fruto doce-azedo seria aquele
que me queimava a palma das mãos?
Seria feita da memória do cedro ou do carvalho
a sombra por mim adivinhada?
Com a inquietude que habita
minha alma de poeta
parti atrás do rastro dourado
deixado em teu passeio.
E vislumbrei lagos, onde mergulhei.
E desenhei aldeias e vilas que percorri
em busca da tua alma terna e luminosa.
Havia uma promessa de amanhã
no mundo tocado por teu brilho.
Alguma coisa em ti
refletia
reluzia
iluminava.
Com a delicadeza que molda meus dedos de poeta
despi-me da poesia
e ainda pude ver:
Teu vulto esguio
cruzando os espaços
tão leve!

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