As minhas meninas (trecho)

 

 

Então aconteceu essa folha em branco. Hoje é aniversário da sua criadora. Mulher extraordinária que está nutrindo meus pensamentos de sonhos. Hoje foi um dia terrivelmente difícil. Sozinho, eu que amo os dias par-em-par. E justamente hoje fiz algo totalmente inusitado. Agora há pouco (já passa da meia noite) movimentei lentamente os pés rumo à geladeira. Sabia que o espaço entre mim e a colher me seria fatal. Você sabe bem que sou um tanto masoquista…

Deixei a colher tomar as papilas gustativas. Agressivamente. Uma só punhalada. E as lágrimas instantâneas. Instantâneas como o prazer. O melhor gosto que já senti. Talvez melhor do que a vida. É muito mais doce e muito menos cindido que viver. E o doce de leite fez meu corpo todo estremecer de saudade de você. Saudade e vontade de ter você para sempre. Uma vida muito menos doce de leite. Mais amarga. Mais áspera. Uma vida não composta de redondezas. De penhascos e planícies. De afogamentos e de plenitudes. Porque você estará comigo. Só a companhia já basta. E hoje, justo hoje, eu sou a pessoa mais corajosa do universo. Pobres daqueles que pensam a coragem como virtude ermitã. A minha coragem é abraço. É comunhão contigo.

 

 

 

 

 

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1 comentário

Arquivado em Textos meus

Uma resposta para “As minhas meninas (trecho)

  1. Debora

    Irmazinha, simplesmente demais! Que saudades … Tempos de descobertas, solidão, novidades só irão te levar a plenitude e a melhor escrita. Cada texto seu que eu leio, eu gosto mais. Love you, beijinho!

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